31 Maio 2012

Contratos e culpados

O Tribunal de Contas (TC) poderá fazer uma nova auditoria aos contratos paralelos assinados entre a Estradas de Portugal, as concessionárias e os bancos nas seis parcerias público-privadas (PPP), para apurar eventuais responsabilidades financeiras do anterior Governo.

O relatório de auditoria divulgado hoje que refere que houve contratos em que não foram apresentados pedidos de visto prévio e que agravam a despesa pública em 705 milhões de euros -, poderá pedir uma fiscalização concomitante e caso haja sanções, os membros do Governo, gerentes, dirigentes ou membros dos órgãos de gestão administrativa e financeira ou equiparados poderão sofrer multas.

O Tribunal de Contas critica as renegociações dos contratos e tem dúvidas sobre se o Estado ficou a ganhar, mas indica que são claras as vantagens para as concessionárias. Conclui que portagens nas SCUT foram mau negócio para o Estado.


Guilherme d´Oliveira Martins é o presidente do Tribunal de Contas , pessoa idónea , eticamente irrepreensível .Foi Ministro de governos socialistas mas em tempos idos pertenceu à juventude social-democrata. 

Porém o governo do PS e de José Sócrates não podem funcionar como bode expiatório e culpados de tudo. Seria importante fazer-se auditorias do mesmo modo a governos do PSD e analisar o que se fez nessa altura. 
Não podemos entrar neste jogo de pingue-pongue , em que quando está no poder o PSD , os culpados são do PS e quando está o PS no poder os culpados são do PSD.

Não é aceitável que o Estado se submeta aos interesses particulares e que o dinheiro se coloque por cima do interesse geral. E, como diz no site do TC , deve-se ajudar o Estado e a sociedade a gastar melhor.

Há culpados , uns mais do que outros , mas não há governo que se livre desse anátema - ter gerido mal os dinheiros públicos.

JJ

Política

Ontem vi o debate quinzenal no Parlamento sobre as secretas e depois a audição parlamentar do Ministro Miguel Relvas . A conclusão a que cheguei : 

1- Sabemos o que podemos esperar dos políticos e essencialmente o que não podemos esperar.
2- Um político para ter autoridade , além da legitimidade e da credibilidade , deve-o ser pelo exemplo
3- infelizmente a política e partidarismo confundem-se

4- A política actual é sinónimo de cansaço,fadiga,fastio saciedade e preocupação
5- De uma maneira geral não confio na classe política.Há tão pouca sinceridade que é difícil pensar seriamente na actividade partidária.
6- Esta forma de ser , estar e exercer política está a chegar ao fim...

JJ

Carta - Uma solução para Portugal










Exmos. Srs.,

Envio-vos a presente carta para vos desafiar a desenvolver uma solução que certamente dará
um contributo para o nosso país sair da situação de retrocesso económico-social.

Sinceramente vos digo que tenho as nozes mas não tenho dentes.

O nosso país faliu devido principalmente ao sistema político-partidário que foi implementado
pós 25 de abril e dificilmente sairá desta triste situação, caso o mesmo não seja alterado. Aliado a esta principal causa estão a corrupção e a inexistência duma forte participação cívica.

A solução passa assim por três sectores de intervenção: o sistema político-partidário / a corrupção / a cidadania interventiva.

O trabalho teria o objectivo de desenvolver 3 livros brancos (1 para cada sector) muito sucintos com as directrizes gerais para a reforma do respectivo sector.

Uma nação apenas sobrevive se tiver um crescimento económico sustentável.

O nosso sistema político-partidário aliado à inexistência de responsabilização criminal dos políticos, à elevada corrupção (esta sem meios de combate eficazes) e à inexistência duma forte intervenção cívica levou a que se governasse, desde 1975, a favor de interesses particulares e do compadrio em detrimento do interesse público e com uma gestão danosa e insustentável dos dinheiros públicos.

O facto destes 3 sectores sempre terem funcionado mal, deu-se azo, como já referido, ao endividamento insustentável, à destruição da economia, ao aumento do desemprego, das desigualdades socio-económicas e da criminalidade, bem como à obstrução de reformas nas áreas basilares do desenvolvimento económico, levando ao declínio do estado de direito e da
nação portuguesa.

De seguida apresento um diagrama das áreas basilares que, no meu entender, sustentam o
desenvolvimento económico e que o sistema político-partidário sempre se opôs a reformar.

 Desde 1975 que diversos grupos de cidadãos deram contributos para se desencadearem reformas nestas 5 áreas basilares, mas quase sempre ficaram nas gavetas dos políticos e governos.

Por conseguinte, será quase impossível executar verdadeiras reformas nestas 5 áreas, sem se
reformar primeiro o poder de decisão (sistema político partidário). Não se consegue recuperar as pernas do polvo sem antes recuperar a cabeça doente que comanda as mesmas e que se opõe à sua cura.

Infelizmente temos tido alguns governos e políticos tiranos, que sempre oneraram os impostos
e o custo de vida ou da actividade, respectivamente, aos cidadãos e empresas. Este país cada
vez menos permite o sustento ao seu povo. Desde sempre, esta falsa democracia tem desviado
o dinheiro dos cidadãos e empresas comuns (enfraquecendo-os) para um grupo restrito de grandes empresas lobistas, partidos políticos, ex-políticos, boys, suas famílias e amigos. Enquanto a sociedade portuguesa não disser “basta”, esta minoria nunca irá reformar este estado de coisas, pois está a enriquecer inexoravelmente à custa da maioria.

Devido à necessidade de desviar o dinheiro público, de se pagar ordenados principescos, pensões vitalícias, obter lucros brutais e devido a uma gestão danosa das finanças públicas, é
que foi necessário implementar níveis brutais de impostos, bem como criar empresas monopolistas prestadoras de serviços (electricidade, telecomunicações, combustíveis, etc.) mais caros que em outros países europeus com custos de vida mais elevados. Por outro lado,
outras empresas lobistas, tais como dos medicamentos, manuais escolares, etc. impedem o governo de implementar medidas que reduzam o custo da aquisição desses bens.

Pode-se mesmo dizer, que vivemos metaforicamente numa “matrix” (para quem não viu o
filme, trata-se duma sociedade surreal que tem uma vida totalmente controlada por um grupo
de pessoas). Na verdade, existem cada vez mais pessoas que se apercebem que vivem nesta
“matrix” e se estão a juntar e a indignar.

Tal como acontece no filme da guerra das estrelas, podemos comparar a referida matrix com o
planeta/nave das forças do mal e a única forma de a derrotar, não será derrotá-los à superfície, mas sim entrando num corredor específico e disparar um tiro certeiro na abertura que atinge o núcleo da nave, ou seja, temos de actuar na cabeça do polvo, alterando o actual sistema político-partidário em prol duma governação de interesse público, combatendo a corrupção e criando plataformas que suportem a participação cívica.

Para a elaborar os livros brancos seria necessário formar grupos de trabalho, convidando cidadãos que estejam fora da esfera partidária e da comunicação social, dentro dos quais politólogos, sociólogos, economistas, etc. Em suma, tecnocratas independentes dos 3 sectores
de intervenção. O apoio destas pessoas é imprescindível para se dar credibilidade aos documentos, sendo um passo fundamental para o sucesso desta iniciativa e aceitação da sociedade civil.

O trabalho a desenvolver poderá incluir a análise doutros países que tenham estes 3 sectores
mais desenvolvidos e adaptá-los ao nosso país ou até desenvolver uma nova concepção.

Focando o sistema político-partidário, penso que os Estados-Unidos, entre outros, possuem algumas boas práticas (vide programa “olhos nos olhos” da TVI24 de 19/12/2011), como exemplo, eleições primárias para a eleição dos líderes partidários. No nosso país o “chefe” de
cada partido controla as distritais dos partidos de modo a ser eleito o candidato preferido e fiel, que fica comprometido com o chefe para, quando chegar a 1º ministro, governar a favor do interesse particular em detrimento do interesse público.

Vivemos num país de ratos que elegem gatos e onde não se permitem que os ratos sejam eleitos.

Defendo um regime presidencial que permita também a candidatura de cidadãos independentes, de modo a terminar com o monopólio dos partidos sobre a democracia. Também sou apologista da responsabilização criminal de dirigentes de cargos políticos.

Deverá ser debatido a situação das pessoas serem eleitas uma só vez, de modo a não se preocuparem com a reeleição e fazer as reformas que o país tanto precisa. Por outro lado, penso que deveria ser obrigatório a constituição de um governo maioritário, socorrendo-se se
necessário de coligações, de modo a se governar com mais estabilidade e eficácia.

Em suma, é urgente proceder à reforma do sistema político-partidário, pelo menos ao nível das eleições partidárias, legislativas e autárquicas, de modo a serem eleitas pessoas responsáveis, competentes, íntegras e defensoras do interesse público.

Relativamente à corrupção, sou a favor da criminalização do enriquecimento ilícito com inversão do ónus da prova, do agravamento das penas de crimes associados, bem como medidas preventivas mais eficazes (deve ser dada prioridade à prevenção em detrimento da investigação).

Relativamente à cidadania interventiva, entre outras medidas, o estado devia apoiar física e financeiramente a criação de sedes distritais onde se pudessem realizar gratuitamente reuniões / encontros de grupos de cidadãos, bem como de suportar eventos para reuniões nacionais e estabelecer contactos contínuos com a sociedade civil.

Quanto à definição de prazos, na minha opinião, os livros brancos deveriam ser elaborados até
ao final de 2012 (no máximo dentro dum ano), serem apresentados aos políticos e à sociedade no início de 2013, podendo-se equacionar um período de discussão pública de 3 a 6 meses e solicitar ao poder político que legisle, implemente e execute as reformas de acordo com os livros brancos até meados de 2014. Findo este prazo, caso as reformas não tenham sido executadas, passava-se assim a acções de protesto, com manifestações pacíficas, laicas e apartidárias, que, com base nesta causa, certamente teriam adesões massivas.

Caso estas medidas não resultassem, restaria então realizar um apelo nacional, para que nas
eleições legislativas de 2015, os eleitores que concordassem com os referidos livros, anulassem o seu voto nas urnas (ou caso preferirem absterem-se) em sinal de protesto (sou
defensor do voto nulo em detrimento do branco pelo facto do primeiro não ser manipulável).
O protesto final seria agendado para o dia anterior às eleições. Este apelo teria o objectivo de ter uma percentagem significativa de abstenção somada aos votos nulos, de modo a demonstrar ao poder político que o povo pretende esta reforma.

Sem me alongar mais, espero que esta carta tenha consequência, ficando a aguardar uma resposta vossa.

Com os melhores cumprimentos.

JR

30 Maio 2012

SELECÇÃO JJ ( Barry White)

1-http://www.youtube.com/watch?v=g9G201XW4Js&feature=related

2- http://www.youtube.com/watch?v=qtPHSC6ylVg&feature=related

3- http://www.youtube.com/watch?v=w8ZRFK-1Aks&feature=related


4 - http://www.youtube.com/watch?v=CrRPA25UBGg&feature=related

5 - http://www.youtube.com/watch?v=2EvWkUuALGg&feature=related

Secretas

O Governo escolheu para tema do debate quinzenal de hoje no Parlamento o "sistema de informações da República Portuguesa".

 De novo vem à baila as "secretas" que já não é segredo nenhum que é mais uma embrulhada que não vai dar em nada. 


Em vez de se discutir o essencial continuamos com o acessório.

Conseguimos desviar a atenção do importante : medidas para estimular a economia , crescimento e como obstar ao flagelo que é o desemprego.

Secretas é sinónimo de Miguel Relvas . Não se fala noutro nome ora pelas secretas ora por supostas ameaças a uma jornalista do Público.
Passou completamente despercebida o acordo com as autarquias! Vejam como vai a vida
 política portuguesa.

Miguel Relvas volta ao Parlamento ou não? E, Pedro Passos Coelho vai safá-lo ou não?

JJ

MAIS UMA VEZ, AS CEDÊNCIAS HABITUAIS


O sorriso estampado na cara de Ruas, mostra bem o agrado por mais uma vez o grande poder que os autarcas continuam tendo, ser superior ao interesse do País e dos cidadãos que continuam a ser sacrificados.
As dividas acumuladas pelas câmaras, e que na sua maior parte se devem por o dinheiro ter sido desbaratado com obras que não eram sustentáveis e muitas vezes desnecessárias.
Os "compromissos" com as empresas que se governaram à custa de obras que lhes eram "oferecidas".
A contratação de pessoal que não é necessário mas que para agradecer o votos que lhes proporcionam a presidência e a vitória do partido que representam a isso os "obriga".
Depois, a força e o poder que os autarcas têm nos partidos que representam por causa dos interesses dos mesmos pelo poder que lhes proporciona o que todos nós sabemos e nos revolta cada vez mais.
Todas estas situações e muitas outras mais, conduziram as câmaras a dividas enormes e à situação critica em que se encontram.
E quem é que vai pagar tudo isso mais uma vez...!? Os de sempre...!
O IMI vai ser agravado e aqueles que já fazem um grande esforço para o pagarem, vai em alguns casos ser impossível de cumprirem com este novo agravamento.
A sensação que às vezes eu tenho, é que os governantes vivem num mundo tão à parte, que acham que o dinheiro dos contribuintes é elástico!
Tudo isto é revoltante, vergonhoso e muito injusto.
Em vez de se responsabilizar os responsáveis pela situação por eles criada, e os obrigar a mudar de rumo e respeitar o dinheiro dos contribuintes. obriga-se o cidadão a pagar os erros por eles cometidos.
Para nos tentarem enganar mais uma vez, dizem que as câmaras vão ser obrigadas a cumprir certas regras, e a diminuir despesas com pessoal.
Ora, se todas estas regras fossem para serem cumpridas, ainda se poderia tolerar e aceitar com menos revolta.
Mas..., como é habitual, tudo vai ficar na mesma e estes dirigentes continuarão fazendo o que lhes apetece e lhes convém, enquanto o cidadão pagante vai continuar a ser maltratado "depenado" e desrespeitado.
E não há ninguém que desaloje esta corja que em vez de governar o País, se governa há 38 anos!?
Pelos vistos não...!

Hercília Oliveira

Ajudem-nos, também, os economistas, mas…

De modo algum tenho, posso, quero ter a veleidade de beliscar os economistas como um todo, mas por certo todos - simples cidadãos - gostaríamos de melhor entender se as suas previsões destes últimos tempos. 


Ou antes, se as Crise (s) que estão a acontecer interminavelmente no Mundo Ocidental – e não só -, e que não foram previstas por tantos economistas – foram-no por alguns! - , e sobre as quais tantos pareceres de tantos em nada têm acertado, o que virá a poder acontecer.



Ninguém dúvida, nem pode, que os economistas não podem acertar em tudo, hoje, até parece que já nem os matemáticos, mas será que não haverá possibilidade, mesmo com algumas divergências, até de posicionamento político, perceber económica e financeiramente o que vai acontecer, já não dentro de um ano, mas dentro de um mês. Já não no Mundo inteiro, mas por partes: na Europa, na Grécia, em Portugal, em Espanha, em Itália. E depois ser feita uma interpolação para o resto do Globo!

Todos fomos querendo confiar plenamente no que nos foram dizendo, ensinando, explicando, mas será que algo está a falhar?

Como é evidente, todos sabemos que ciclicamente aparecem crises, que não só do capitalismo – quase como a democracia, sendo o mau, não há melhor – mas em tudo que “meta” Pessoas, mas a dado momento a necessidade de se “acreditar” em alguém - não Salvador, isso nunca, dá ditadura! - é imperioso, e assustamo-nos quando nada entendemos, quando unicamente sentimos que “isto” vai mal e tende a piorar. E dão-nos uns números, uns palpites, uns cálculos e de repente nada acontece do que previsto foi, e consegue-se calmamente passar a novas previsões, e andamos de previsão em previsão e não acertamos.

Claro que a responsabilidade não é dos economistas, dado que seria sempre confortável passá-la subtilmente a alguém. Não é! Mas por certo serão quem está ou deva estar mais bem preparado para saber melhor lidar com estas áreas, e tal não estará a acontecer!

Haverá que refundar muito do que se achou como certo até aqui. Haverá que em tudo se viver em função de tempos modernos, mas haverá, também em economia, que aprender com a História, fazendo-a mover-se aos dias de hoje, em caminho do amanhã!

Será em tudo cada vez mais necessário não esquecer a Memória, não viver vertiginosamente em fugas em frente, e "antes” tentar-se aprender com erros passados, não os repetindo e fundamentando ideias mais concertas para o hoje a caminho do futuro. Não é fácil, mas, é inevitável.

Não, a culpa não é dos economistas, mas temos que começar a conseguir confiar em que nos dê confiança, que vai do economista ao médico, do advogado ao professor, do trolha ao catedrático, do varredor ao cozinheiro, do vigilante ao sapateiro, da cabeleira à directora-geral, de todos e de cada um, para conseguimos ficar melhor… com mais certezas e menos inseguranças!

Augusto Küttner de Magalhães

29 Maio 2012

Selecção JJ ( Eliana Elias)

http://www.youtube.com/watch?v=bUzB3pJgVv0


http://www.youtube.com/watch?v=Sw1yCAOVWN8


http://www.youtube.com/watch?v=1sVfYvwv4To


http://www.youtube.com/watch?v=_DAIbV7ft0I

A convite da Quercasa – Edifício Zen


Joaquim Jorge aceitou o convite de apresentar o seu novo livro na Quercasa por ser uma empresa com uma sensibilidade social e cultural muito grande na cidade de Gaia.

Esta iniciativa conta com a presença de

Pereira Queirós ( administrador da Quercasa ) e Mário Russo ( professor universitário e membro do Clube).

Local : Centro de Negócios Metro El Corte - Rua Pádua Correia, nº379, 7º andar Vila Nova de Gaia (a 20 metros do El Corte Inglés).



Livro : Política e Coisas Piores .

Desvendando um pouco o véu do seu conteúdo, tem muito mais de Joaquim Jorge e muito menos de Clube dos Pensadores .
Este livro tem o seu pensamento político.

Algumas ideias chave de Joaquim Jorge publicadas no seu novo livro:


Na sociedade , os cidadãos ocupam um dos lugares do edifício social , mas raramente lhes será consentido subir a escada.O que faço , debates , escrever , rádio , televisão , etc. dizem-me que vale a pena . Duvido , talvez porque já esteja cansado de me ouvir e ver. E, não sei se valha a pena e alguém ligue ou dê importância.
O cepticismo é uma doença que aparece com os anos de idade.
A realidade fica sempre aquém da expectativa.
A justiça faz o que entende , quando o entende e como o entende.
Depois deste crash económico encontram-se ajudas para os culpados e não para as vítimas.
Na nossa história há uma ambição mais forte que a política ,o amor e gostar de Portugal.
Cada vez há uma maior distância entre os discursos e os actos, entre como vivem os portugueses e o que nos dizem os dirigentes políticos.
Que pensar de uma política que parece negar a evidência da forma como vivem os portugueses o dia-a-dia, com desemprego, precariedade e fim do mês complicado?
Não aceito que o Estado se submeta aos interesses particulares e que o dinheiro se coloque por cima do interesse geral.
Falta-nos orientação económica com a assinalável perda de valores e, a desorientação e desmoralização dos portugueses.
A política actual nega-se a ver a realidade cara a cara.
É incapaz de assumir as reformas indispensáveis e volta sempre às velhas fórmulas.




Clube dos Pensadores / Quercasa- Edifício Zen

Frases sobre a Crise


"Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento." 

(Albert Einstein)


"Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade."
 (John F. Kennedy)



"Se existe tanta crise é porque deve ser um bom negócio."
(Jô Soares)


"Uma nação em crise não precisa de plano. Precisa de homens."
(Eugênio Gudin)




"Está certo que nos momentos de crise é que se cresce. Mas eu já estou batendo a cabeça no tecto." 
(Mário Cury)

Comparação de despesas hospitalares Porto vs. Lisboa


O Hospital de S. João gastou em medicamentos, no primeiro trimestre de 2012, 23 milhões de Euros e o Hospital de Santa Maria, que tem igual dimensão e uma missão/objectivos semelhantes, gastou, no mesmo período, 34 milhões de Euros. Assim não vamos lá.
Augusto Küttner de Magalhães

28 Maio 2012

Cultura do dinheiro

Sou contra a cultura do dinheiro, só se fala de défice, de dívida, de mercados. Evita-se falar de sofrimento, dos que tem pouco ou nada, da pobreza crescente , dos jovens , dos velhos. Não são só os políticos e tecnocratas que pensam assim. A sociedade em geral vive entregue ao grande Deus , «O Dinheiro». parece que só o dinheiro tem poder para dar valor às coisas.

Alguém que pensa nunca é pobre e tem o poder que lhe concede e a imaginação. É preciso voltar à cultura dos valores: verdade, nobreza,saber, justiça, etc.

Vivemos numa cultura kitsch crida em torno do dinheiro, que hoje domina tudo.
A noção de solidariedade desapareceu.
Toda a gente acredita na ideia de que se é alguém pelo que se usa e pelo que se tem e já não sobre aquilo que se realmente é.
Quem são os nossos heróis?  Não são os escritores,ao artistas , ou os pensadores. São as pessoas que são ricas.
Dar de novo um sentido às palavras. Manter uma ideia de dignidade humana.
Devemos cultivar a nobreza de espírito e explicar às pessoas e aos jovens principalmente que não é em torno do dinheiro e do poder que a vida se joga
As escolhas que temos que fazer todos os dias , quanto tomamos as nossas decisões sobre o que é realmente importante e o que não é, o que tem valor e o que não tem
A resposta nunca será dada pela economia e pela Internet.A cultura não é tecnologia.
A resposta é ser-se culto.
Uma verdadeira democracia significa como diz Bento de Espinoza, que somos mais do que indivíduos , aspiramos a ser pessoas com carácter , que não somos apenas motivados pelo medo , pela ganância , pela estupidez, mas capazes de um pensamento e de escolhas. A democracia exige isso de nós , mas...
 Há uma perigo maior que a pobreza , que é a estupidez e a ignorância .
JJ

27 Maio 2012

Humor


Corridas


Hoje foi um dia em cheio para quem gosta de automobilismo.

Na Europa , o Grande Prémio do Mónaco ,Mark Webber, da Red Bul, venceu numa corrida sempre abrir. 

Nos EUA , Dario Franchitti venceu as 500 milhas de Indianápolis numa corrida emociante e com vários despistes à mistura entrando imensas vezes o safety car. 

Intranquilidade

A crise tem arrasado toda a gente ( nem toda), a perspectiva de melhoras é uma miragem. O estado de espírito dos cidadãos é inquietante e de frustração. A situação económica teima em não melhorar, os cidadãos estão fartos de ouvir falar de politicas de austeridade e de politicas de crescimento como alternativa , querem é politicas que funcionem sejam de que orientação forem. É preciso medidas para melhorar o bem-estar e capacidade de aquisição dos cidadãos. As pessoas seguem sem levantar a cabeça e têm passado mal. A recuperação tarda em aparecer e a intranquilidade é enorme. Os cidadãos interrogam-se, se vivem melhor hoje que há uns anos atrás? A resposta é não e vivem muito pior. Os cidadãos interrogam-se porque não há culpados? Mas todos sabemos quais são e nada lhes acontece...


JJ

Nós fazemos tudo certo, ou outros é que estão errados

Sem dúvida que temos que defender os seculos de História que temos. Sem dúvida que fomos o País que descobriu mundos novos, e depois em vez de os saber bem explorar, entregamo-los aos outros! Ficámos com uns trocos que desbaratámos em obras de fachada.
Sem dúvida que somos o País, tal como hoje ainda somos, mais antigo da Europa.
Sem duvida que espalhámos a língua de Portugal por mundo fora.

Mas será que fizemos sempre tudo bem? será que não errámos mais que os outros? até num passado recente! ou são os outros que são muito maus e sempre se deliciam a dizer mal de nós?

Continuamos hoje a nunca chegar a horas a encontros, reuniões marcadas, fica sempre no mínimo um quarto de hora de atraso, com a maior das naturalidades, errado, não somos cumpridores.
Continuamos a ser na Europa dos povos mais corruptos, éramos e somos. E quem não acredita que folheie a História dos últimos 5 seculos, e que veja, leia, ouça a História dos últimos 35 anos.
Continuamos a não saber cumprir, continuamos a achar que os outros é que não gostam de nós, e de nós, dizem mal. Claro que no intimo, já todos entendemos que "isto não é bem assim.

E veja-se o exemplo da confusão com a compra recente de submarinos (para quê?) à Alemanha, lá, um tipo já está preso, cá está tudo na mesma!
Vejam-se os casos mediáticos explorados até ao tutano pela nossa comunicação social em que o xico-espertismo funciona em grande a favor de uns quantos, e nada lhes acontece.

Claro que se pode dizer que o Sul da Europa, funciona todo assim. Por influência da Igreja de Roma, do clima, das ditaduras que vigoraram durantes décadas. Assim será, sem duvida!

E não deveremos nós, mudar? Em vez de estar sempre à espera que os outros mudem.
Não está na hora de cumprir horários? De deixarmo-nos de xico-espertismo? de cumprir em tudo? De fazermos e termos muito menos leis, mas serem para ser cumpridas por todos? de não haver sempre privilegiados, portugueses de 1ª, a quem tudo favorece e de 2ªa quem, tudo desprotege?

A Frau Merkel será um estafermo em pessoa mas a Alemanha funciona! Os chefes dos países do Norte da Europa, que nem categoria têm para serem chamados de lideres, fazem mais pelos seus países que todos os importantes que mandam cá pelos países do sul. E não é necessário inventar, basta constatar. Basta ver. Basta observar, o Norte bem, e o Sul um desastre.

Isto de modo algum é para nos deitar abaixo, para nos desanimar, antes pelo contrário é para nos fazer pensar que errámos ontem , erramos hoje e temos que arrepiar caminho, fazer melhor, copiar o que os outros de em fazem e seguir em frente! Somos capazes, querendo!
Augusto Küttner de Magalhães

26 Maio 2012

Mónaco

Este fim-de-semana não vou ligar muito à crise e política . Hoje joga Portugal com a Macedónia , um jogo de preparação para o Europeu. O mês de Junho será em grande com futebol para todos gostos. Não tenho muita fé na equipa de Portugal . É um grupo dificílimo ( Alemanha, Holanda e Dinamarca) , mas vou seguir atentamente o desenrolar dos acontecimentos.
Porém , amanhã é um dia especial para a fórmula 1 , o mítico grande prémio do Mónaco , glamour, emoção , embates e uma visão única deste circuito citadino. 

Estarei pelas 13h , em frente à TV para ver mais esta corrida que espero seja emocionante. Este ano o campeonato em 5 corridas teve 5 vencedores diferentes ( Fernando Alonso, Jenson Button , Nico Rosberg, Sebastian Vettel ). Vamos lá então ver este espectáculo único e mandarmos a crise às malvas, pelo menos por uns dias.
JJ

Olhar da Alemanha para Portugal e o inverso

Se nos colocarmos a Norte, suponhamos na Alemanha e olharmos para Sul, por exemplo para Portugal, será que a visão é das mais surpreendentes? Não é!
E já para não falar em olhar para a Grécia, que no pós 2ª Guerra Mundial teve uma guerra interna e tem uma mistura explosiva de ideias e religiões, que a fez falir.

Bem, olhemos para Portugal, onde nos quase últimos 40 anos em democracia conseguiu no aspecto social e não só, evoluir e muito, mas em simultâneo instituiu que poderia viver para todo o sempre acima das possibilidades. E foi progressivamente gastando mais do que tinha e para tal endividando-se, quer a nível público, quer a nível pessoal/individual. E os credores aperceberam-se que teriam que fechar a torneira do dinheiro fácil, e fecharam.

Para não parar em definitivo, Portugal teve que fazer um acordo tripartido entre FMI e duas Instituições Europeias e foi-lhes emprestado “dinheiro contado e com destino previsto” para pôr as contas em ordem, e tentar saber viver dentro das suas possibilidades de pais pobre dentro dos mais ricos do mundo.Como é difícil perder direitos, regalias, baixar o nível de vida, “as coisas não estão por lá a correr pelo melhor” .Ora se nós, Alemanha, tivermos pena deles, Portugal, e lhes continuarmos a emprestar todo o dinheiro que querem, voltam a gastar sem controlo, como antes faziam.Já o haviam feito cada vez que conseguiram dinheiro fácil, como por exemplo no tempo de D. João V quando o ouro vinha a rodos do Brasil e foi todo, todo gasto em Obras de Encher o Olho: Convento de Mafra, Aqueduto das Águas Livres, e mais, e vida faustosa comprando tudo de luxo por essa Europa fora – para o Rei e entourage - , e gastando, gastando, quando o ouro acabou, o País faliu. E depois apareceu o Marquês com pulso de ferro, ditatorial, a tentar pôr a casa em ordem.

Em 1902 voltamos a falir. Em 1938 Salazar pela força tentou uma vez mais colocar ordem na desordem financeira, mas esqueceu-se da economia. E o tempo pós 2ª guerra Mundial foi de crescimento Europeu e Portugal também cresceu. E chegamos aos dias de hoje. E Portugal tem autoestradas a mais, rotundas com imensa tralha lá dentro para nada, Centros Culturais de grandeza, Parque de Exposições Industriais sem utilização, Estádios de Futebol sem necessidade e muito faustosos, cargos públicos e para- públicos excedentários com demasiadas mordomias, e deve mais de 107% do seu PIB.

Se nós alemães, emprestarmos sem regras, nunca mais se endireitam, e não o podemos fazer, apesar de se poder colocar a União Europeia, ainda mais desunida do que já está. E a Espanha, a Itália, também se distraíram a gastar o que não tinham. Logo tem que haver controlo a todos e ao cêntimo, para não fazerem mais do mesmo. A Grécia, é /está perdida!

Assim, só será possível emprestar mais se lá, sem sermos nós abertamente a ordenar, seguirem um rumo totalmente diverso do que vêm a seguir, com políticos e politicas diferentes, todos, todos e em democracia, sempre.

Sejam organizados, nas empresas – não têm que trabalhar mais, unicamente melhor - , na Administração Pública, na Justiça, nas Finanças. Sem tanta corrupção, sem tanta “cunha”, sem tanto desenrascanço, sem xico-espertismo. Será possível? Talvez mas não como até aqui tem sido feito.

Aqui, coloquemo-nos em Portugal, como portugueses que somos e olhemos em nosso redor, assumindo que quem nos deve explicar “isto” com total franqueza o não fez, nem está a fazer, Governo e todas as Oposições, bem como PR, preto no branco, o que gastamos, o que produzimos e como não podemos sobreviver se não mudarmos, todos, a começar pelo topo! E sem nada partir que nos faz depois falta, com realismos sem eleitoralismo futuros, tentemos, todos e cada um mostrar que merecemos que nos emprestem dinheiro para pôr a casa em ordem, sem fazer mais Obras de Encher o Olho, nem fazer uns estar sempre tão bem e a maioria bastante mal. E talvez consigamos ficar bem melhor, produzindo, criando emprego. Fazendo! Bem! .

A comunicação social tem também um importante papel, em vez de andar sempre em procura de sensacionalismo, aposte na qualidade e ajude a reconstruir o País. Para seu bem, se não afoga-se, também!


Augusto Küttner de Magalhães

25 Maio 2012

Miguel Relvas / Público

O dia de ontem nem correu mal a Miguel Relvas , foi à ERC , negou pressões e negou ter falado da vida privada da jornalista do Público. O problema das secretas é um tema algo embaraçoso para Miguel Relvas, vai dai ,a possível discussão com a jornalista do Público Maria José Oliveira e uma troca acesa de palavras , que no calor da discussão , dizem-se coisas que não deveriam ser ditas. No fundo houve uma zaragata e algazarra . A directora do Público reitera as pressões depois de ouvida na ERC.
Esta novela que ainda agora começou , mas sabe-se o fim - não dar em nada . Porém com a demissão do adjunto do gabinete de  Miguel Relvas , o ex-jornalista Adelino Cunha , relacionado com as "secretas" as coisas podem-se alterar.
A margem de manobra de Miguel Relvas que parecia ter sido ampliada , encurtou-se de novo.  Eu não dou grande relevo a este folhetim que procura desviar a atenção dos problemas reais do país e na resolução da crise. 
Sempre houve pressões sobre jornalistas, deste governo, do anterior e dos outros todos ,todavia não deixo de constatar o poder imenso que tem este Ministro no governo PSD.

Por outro lado Miguel Relvas com a nova lei da organização do poder local tem granjeado muitos inimigos e tem posto em causa poderes instalados há muitos anos, naturalmente é um alvo a abater.

JJ

Investigação destruída

Maria da Graça Carvalho publicou no Diário de Notícias de 21-3-2012 um artigo em que fala da enorme importância da investigação científica, o que eu aplaudo. Refere depois o que o governo de Durão Barroso programou e que foi executado pelos governos seguintes. Diz "Mas este resultado, em si próprio positivo, não teve o impacto desejado na economia".


"Esqueceu-se" de dizer que, paralelamente com essa melhoria, continuou em vigor a criminosa "lei", não escrita mas religiosamente seguida, que manda destruir toda a investigação científica estatal que não seja das universidades, cujas acções causaram ao país um enorme prejuízo, tanto do ponto de vista da ciência como do que os organismos em causa deram à economia nacional. Esses organismos estão hoje reduzidos a uma pequena fracção do que eram e o "know how" que resta é muito menos do que existia - e tanto produziu! - em resultado da destruição que sofreram. Posso referir três (há mais outros), dois dos quais conheço bem e do terceiro alguma coisa: a Estação Agronómica Nacional, em Oeiras, a Estação Nacional de Melhoramento de Plantas, em Elvas e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa.


 Estas instituições, antes de se iniciar o processo de destruição, além de produzirem boa ciência, deram ao país uma contribuição económica muito valiosa. Nos de investigação agronómica a destruição foi maior porque aí somaram-se dois males: ao facto de serem investigação estatal fora das universidades, juntou-se o processo de destruição da agricultura portuguesa, em curso há umas duas décadas.
Esta última destruição foi travada pelo governo actual que, no entanto, ainda não iniciou os procedimentos que há muito clamo serem necessários para desenvolver uma agricultura geralmente atrasada, onde existem apenas em escasso número os casos de excelência - e bons resultados económicos, incluindo para a exportação - que, aliás, são a melhor prova do que pode ser a agricultura portuguesa. E o desenvolvimento da agricultura só se verificará quando o seu Ministério voltar a ter as suas instituições de investigação agronómica, para começar, como eram há várias décadas e depois um pouco melhores, pois são a única fonte da tão badalada inovação, uma palavra que os nossos políticos só começaram a usar quando nalguns países se começou a falar de "innovation".


 Ao mesmo tempo, é necessário um serviço que hoje no mundo se chama de Extensão Agrícola ou Extensão Rural, do nome com que foi criado nos Estados Unidos em 1914 e cuja função é levar até aos agricultores os conhecimentos que existem e os que a investigação considere prontos, de que eles tanto carecem. (Eu gostaria de lhe chamar de Fomento Agrícola que, automaticamente é Fomento Rural,pois só desenvolvendo a agricultura poderemos desenvolver as zonas rurais).
Há muitos anos proponho que, para desenvolver a nossa agricultura, o Ministério inicie um Plano Intensivo de Investigação Agronómica e de Extensão Rural, para, como também já escrevi, transformar o déficit de 3 mil milhões de euros da nossa balança de produtos agrícolas (exportamos 3 mil milhões de euros, mas importamos 6 mil milhões de euros) num superavit de 3 mil milhões de euros. O actual governo poderia ter iniciado esse Plano Intensivo, mesmo com a estrutura que existia (recentemente um tanto melhorada) e com o paupérrimo orçamento de que dispõe. Talvez já estivesse a sentir alguma melhoria e a colher alguns pequenos resultados, dum processo que é difícil que seja de rápida progressão.


 E há que considerar que, como mais uma vez mostrei, há poucos meses, os resultados desses dois serviços, investigação agronómica e extensão rural, são de tal ordem que o próprio orçamento do estado recolhe, em impostos sobre as melhorias obtidas, mais dinheiro do que o que neles investiu. Sem dispor de valores numéricos (há muito preconizei a sua recolha mas nunca a quiseram implementar) posso lembrar um caso recente bem conhecido dos portugueses: a uva 'D.Maria', essa excelente uva de mesa branca de grandes bagos e excelente sabor,
"fabricada" na Estação Agronómica, em Oeiras, deve estar a dar ao país, todos os anos, mais do que o pouco dinheiro que o estado investe no organismo.


Miguel Mota